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Receita da Fibracon deve saltar 100%


Empresa vai investir em projetos que já tenham alvará para driblar nova Lei de Uso e Ocupação do Solo.

LUDYANE AGOSTINI.







A belo-horizontina Fibracon negocia imóveis de R$ 180 mil a R$ 300 mil, voltados para as classes C e D


A Construtora Fibra Ltda (Fibracon), sediada no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da Capital, prevê crescimento de 100% neste ano e receita de R$ 16 milhões. A empresa, voltada para a construção de empreendimentos de médio padrão, negocia imóveis de R$ 180 mil a R$ 300 mil, voltados para as classes C e D.

De acordo com o diretor da Fibracon, Eustáquio Peixoto, a empresa especializou-se neste segmento para diferenciar-se da concorrência em Belo Horizonte. "Aqui, a maioria das construtoras está focada nos padrões luxo e alto luxo."

Para ele, os segmentos de luxo e alto luxo enfrentam um grande problema, a escassez de grandes terrenos, por isso têm migrado os investimentos para Nova Lima e Betim, por exemplo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. "Na Fibracon, compramos áreas menores, ainda em oferta, apesar de pequena. Investimos em bairros que têm apelo para a classe média na Capital, como o Gutierrez e Nova Suíssa, na região Oeste."

Neste primeiro semestre, a empresa lançou o Edifício Gávea, no bairro Nova Suíssa, com apartamentos de 57 metros quadrados (dois quartos). Com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 8 milhões, o empreendimento já está 50% vendido. As unidades custam, em média, R$ 180 mil.

Em setembro, está previsto o lançamento de um empreendimento no Gutierrez, com VGV de R$ 7 milhões. O edifício terá 27 unidades de três quartos, com 70 metros quadrados cada. Conforme o diretor, nos primeiros seis meses do ano a empresa registrou incremento de 50% nos negócios na comparação com o mesmo período de 2009.


Setor - O nível de atividade da construção civil atingiu 53,8 pontos em junho. Esse é o quinto mês consecutivo de aumento da atividade do setor, informou a Sondagem da Construção Civil, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na sexta-feira. Os indicadores da pesquisa variam de zero a 100. Valores acima de 50 pontos indicam crescimento.

Ainda segundo a pesquisa, o desempenho positivo da construção civil é resultado da implantação de programas governamentais de longa duração, como o habitacional e o de obras de infraestrutura. A Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, que serão realizadas no Brasil, também elevam as expectativas positivas dos empresários.

A Sondagem da Construção Civil do segundo trimestre foi feita entre 30 de junho e 20 de julho. Foram consultadas 320 empresas de todo o país, entre as quais, 175 eram pequenas, 110 médias e 35 grandes.


Gargalos - O maior problema enfrentado pela Fibracon hoje são as determinações da nova lei de uso e ocupação do solo. Os imóveis construídos a partir de agora, devido às exigências da lei, ficarão de 10% a 15% mais caros. A tendência é que o tamanho médio dos edifícios também seja menor, já que a lei reduz em 10% a área líquida construída no terreno.

De acordo com Peixoto, a tendência agora é que a Fibracon invista na compra de edifícios antigos, com o objetivo de reformá-los, já que a iniciativa reduz os custos. Outra estratégia da empresa será buscar projetos imobiliários que já tenham alvará. "Nesse caso, poderão ser construídos conforme a antiga legislação."

A Fibracon compõe o grupo Fibra, fundado por José Eustáquio da Cunha Peixoto, em Belo Horizonte. Além da construção civil, o grupo também possui uma empresa voltada para o agronegócio (Fibra Agropecuária) e outra voltada para a locação de imóveis (Fibra Business), todas pertencentes à família Peixoto.

Nova lei - O prefeito Marcio Lacerda sancionou a nova lei de Uso e Ocupação do Solo, aprovada em maio pela Câmara Municipal. O texto prevê a redução do potencial construtivo em toda a cidade. Na média, os prédios de toda a Capital ficarão 10% menores do que os que eram construídos até junho.

Em bairros onde o adensamento residencial sofreu boom nos últimos anos, como no Buritis (Centro-Sul) e no Castelo (Pampulha), as novas permissões para construção serão ainda mais restritivas: em média, os empreendimentos serão 50% menores. A nova lei também aumenta os poderes da Prefeitura de Belo Horizonte no controle sobre os lotes vagos, imóveis abandonados e terrenos às margens das principais avenidas.

O texto também prevê as operações urbanas da Bacia do Isidoro e da Savassi (Centro-Sul). Na operação urbana do Córrego do Isidoro, região de Venda Nova, ficam autorizadas as construções de mais de 75 mil unidades habitacionais nos próximos 15 anos. O empreendimento, orçado em mais de R$ 7 bilhões, é do arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner.

Outro dispositivo também deve mudar radicalmente a vida da Capital nos próximos meses. De acordo com a legislação, a prefeitura passa a ter preferência na compra de lotes às margens dos principais corredores de trânsito: avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Catalão, Pedro I, Pedro II, Anel Rodoviário e Via 540 - esta, futuramente, passará pelas regiões Norte e Venda Nova.

A nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, de autoria do Executivo, foi encaminhada para a Câmara no início do ano. Depois de quatro meses de discussões e dezenas de audiências públicas, foi transformada em um substitutivo. A aprovação veio em 19 de maio. No novo texto, foram incorporadas 500 emendas, em mais de 300 artigos. Do texto encaminhado, apenas 11 emendas foram vetadas.


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